Dos benefícios que o leitinho materno tem, em relação aos outros, para os bebês, nós todos já sabemos. Circulam, pela mídia à fora, as vantagens sobre o ato de amamentar exclusivamente os neo-natos até que eles completem 6 meses de idade. Os motivos que levam a esta Campanha são extremamente relevantes pois, a mesma, visa a saúde não somente da criança (nutrição adequada, não-sobrecarga digestiva, imunidade...) como também da mãe (involução uterina, rápida liberação placentária pós-parto, lóquios/sangramentos por menor tempo, maior gasto calórico, diminuição das chances para C.A de mama e ovários...).
Além de tudo, laços afetivos são fortalecidos neste ato que também é um ato de carinho.
O legal, no entanto é esclarecer e desmitificar algumas "não-verdades" sobre o assunto em questão.
No período passado, um de meus campos de estágio foi justamente no Puerpério (puérperas- mamães que acabaram de ter seus bebezinhos) de um Hospital Público e mesmo frente a uma massificante campanha em prol do aleitamento materno, e todos aqueles benefícios, encontramos mulheres ainda muito resistentes e desinformadas sobre o assunto.
Das muitas dificuldades que tivemos vou destacar as maiores:

- As mães que dizem não ter leite -
A maternidade é um marco na vida da mulher e não deixa de ser, ainda que muito feliz, um processo que acontece sob stress. Existem nesse processo a mudança da consciência corporal, a dor, os novos sentimentos, receios de que algo possa acontecer... No entanto, é importante esclarecer que a mãe precisa estar preparada para receber tranquilamente seu filho no seio para as amamentações. Fisiologicamente a prolactina favorece a produção do leite e a sucção estimula a liberação da occitocina para a ejeção do conteúdo lácteo... Sendo que, a liberação deste último hormonio estimulado pela sucção da criança só ocorre sob altas doses de tranquilidade.
Portanto mamãe, muita calma nessa hora...
- As mães que reclamam que seus bebês não sugam -
Um dos reflexos institivos do neo-nato é a sucção e o momento em que ele está mais presente é durante os primeiros minutos após o parto. Por isso as, bem vindas, vertentes do Parto Humanizado defendem que a criança deve ser levada ao seio materno logo após ao seu nascimento. Porém, como na maioria dos partos isto não ocorre, pode ser que a falta de estímulo imediato camufle um pouco este reflexo e mais tarde os bebezinhos não respondam com o reflexo de sugar mediante apenas a aproximação do mamilo.
Este quadro é facilmente revertido submetendo a criança a estimulos de toque nas bochechinhas e nos cantinhos da boca (mãos limpas!). Se ainda assim ela não responder,com sucção , use luvas e faça uma suave massagem com o dedo mínimo pela linguinha e céu da boca do bebê. Assim que ele começar a sugar, coloque-o em contato com o mamilo materno.

- As queixas das rachaduras -
Uma coisa é certa: se existem rachaduras, a mamãe não está sabendo posicionar a criança durante as mamadas. Mal posicionado, o bebê tende a succionar apenas o mamilo, de forma inadequada, o que acaba machucando e ferindo-o. O correto é, para mútuo benefício, que a mãe esteja sentada em uma cadeira com encosto e suporte para os braços. Ela deverá estar sem tranquila e sem pressa, fazendo uso de almofadas sob o braço que envolve o bebê. O abdomem da criança deve estar de encontro ao da mãe e a boquinha dele deve estar envolvendo toda a auréola e mamilo materno.
Além disso, pode-se auxiliar na prevenção das rachaduras fazendo uso da exposição solar (em horários apropriados) dos seios desnudos para oferecer maior resistência deste tecido (pele), tão sensível, às sucções assim como não sumeter esta pele a produtos, hidratantes, sabonetes, álcool ou buchas vegetais ou de espuma durante o banho.
Cabe lembrar que no caso de já instaladas, as rachaduras não devem ser tratadas com pomadas ou cremes de qualquer tipo, pois estes produtos são capazes de modificar o sabor e odor do leite para a criança, que poderá passar a rejeitá-lo.
- O cansaço e o mal posicionamento -
Como já citado o bom posicionamento da mãe e da criança podem conferir uma amamentação mais proveitosa, tranquila e segura assim como prevenir futuros desarranjos posturais maternos.
- A ordem das mamadas.
É verdade que o leite vai sendo modificado todos os dias a partir do parto de acordo com a necessidade do bebezinho (colostro, leite de transição e o leite maduro para quem quiser se aprofundar). Porém, a ejeção do leite a cada amamentação normalmente ocorre progressivamente do leite mais aquoso (inicial) para o mais concentrado. Desta forma, nos primeiros momentos da mamada a criança está se favorecendo de maior quantidade de água e a seguir vão sendo injeridos maior número de nutrientes e gordura importantíssimos ao bom desenvolvimento do bebê.
Desta forma, se a criança inicia a mamada no seio direito e ainda pega o esquerdo, o correto é que após o "arrotinho" (dez minutos em posição vertical, SEM BALANÇAR), o descanso (em decúbito lateral direito, para favorecer a digestão / estomago situado ao lado esquerdo) e nova solicitação por alimento, a mãe ofereça para ele o seio esquerdo que ainda está cheio de leite concentrado. Ou seja, a criança retorna para o seio que mamou por último, ok?
A ordem errada ou as mamadas viciadas em um lado apenas são muito prejudiciais a alimentação dos bebês assim como são as responsáveis pelos engurgitamento, e suas drásticas consequências, nas mamas pouco succionadas e não esvasiadas.

Uffaaaaaa!!!!!!!!!!
Agora não tem mais desculpas...
Ah! já ia esquecendo... Nada de ficar pressionando o seio com os dedos em V enquanto o bebê suga. Isto dificulta a ejeção pois pressiona os ductos (como quem aperta um canudinho) e aumenta o trabalho da criança que pode vir a desistir de sugar.
Nossa......... será que restam dúvidas? Podem perguntar.
O importante é ter a certeza de que a amamentação é sempre a melhor opção para mamãe e bebê!!!!!!!!!!

10 comentários:
Muito interessante este tema...
Eu espero ter muito leite, por enquanto fica só a expectativa da chegada dela..
Vou ver se encontro algum texto interessante sobre o "preparo" dos seios pra amamentação.. Hoje em dia está mais facil de ter informação, então não da pra ficar dando desculpas..
Parabéns pelo blog
Beijos
Erica, que post mais bacana! Indiquei ele no meu post sobre a minha experiência com amamentação. Se eu tivesse essas informações antes, teria sido tão mais fácil, afinal, o que eu mais ouvi foram palpites e ais palpites...
Beijos!!!
Érica. Minha nora está sofrendo com a rachadura nos seios. Chega a sair sangue e a bebê coloca a boca em todo o mamilo mas mesmo assim está saindo sangue e dói muito. Ela foi alertada quanto apanhar sol, etc etc, mas não fez. Agora está sofrendo e tendo de dar um peito só por conta do outro estar sangrando muito. Eu sangrei e a mãe dela também. Achava o aleitamento materno pior do que o parto, pois o nascer para mim foi fácil. Na minha época não sabíamos de nada disso. Acho também que depende da sensibilidade da pele da pessoa. Sem falar de que ficamos presa a uma doce corrente que é o bebê e que não deixa afastar-nos dele por durante um bom tempo. Ser mãe é ótimo, amamentar é que é brabo.
Nice, é triste saber notícias de tanto sofrimento a respeito de um momento que deveria ser muito prazeroso.
Sei que alguns casos graves de rachaduras devem ser medicados, porém as mães devem tentar, à princípio, tratar naturalmente passando o proprio leite materno na região (ação cicatrizante). Não existem comprovações científicas, eu sei, mas minha supervisora de estagio fala muito em casca de banana no local das fissuras (vc pode se informar melhor sobre isso). Caso nao melhore, vale a pena interromper a amamentação por algum periodo neste seio por um curto periodo de 24 h para favorecer a cicatrização (lembrando que a mãe deve tentar ejetar o conteúdo a fim de evitar problemas como engurgitamento e suas consequencias).
Ah! nada de lavar demais a area, nada de sabonetes, cremes, fricções extras no local...
bjo
Fui para o Lord...rsrsrs, surgiu uma negociação financeira aqui em casa e descolei um adiantamento!! Bastou para eu levar o meu corpo para bailar... rsrsrs
Oi Erica,
Muito bom o seu post, com informacoes excelentes ate para uma veterana como eu que amamentou dois filhos por um longo tempo.
Beijos,
Regina
olá érica...
bela iniciativa..
Minha irmãzinha foi adotada, por isso não teve o leite materno. Teve que recorrer no começo a bancos de leite, depois passou a tomar o indicado pelo médico. Acho que tanto bancos de leite quanto de sangue deveriam ter mais colaboradores...
Muito boa a lembrança da campanha, vou aderir e fazer uma propagandinha também
Muito legal e instrutivo o seu texto. Não adianta fazer campanhas sem citar o que realmente importa e que pode ajudar as mães a promover o aleitamento da forma correta. Beijos.
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